sábado, julho 31, 2004

Abaixo, um poema de minha autoria. Ainda não está lapidado conforme a técnica: está como veio ao mundo :-)
Um dia eu aplico a técnica.
Dulce Bia [G. Zeni]
Ó mui Dulce Bia,
Que em Veneza navegava
entre os poemas dos gondoleiros
a quem doce Bia apaixonava.

Dulce Bia,
qu'aos ouvidos me suspirava
os segredos de sua melancolia
de beleza disfarçada.

Algures nas águas perdida
respousa sua santidade,
doçura extraviada por entre
os vãos da vultosa cidade.

Dulce Bia,
pelas lacunas de Venezas belas
suas sombras 'inda se estendem
na penumbra de tantas velas.

Tão Doce Bia,
fantasma de idos de glórias
que pelos palácios ainda vaga
cantando o Adriático e sua histórias.

Bia, soube nas nuvens
o quão doce é amar ao mar
e no sol te vi resplanceder
com esvoaçantes passos e livre olhar.

Nem todos os lírios têm teu gosto doce
de fruta madura e imaculada
E nem mesmo as rosas conhecem como a ti
o saber de ser amada.

Morte, Vida e ciclo eterno
Num universo rodopiante de valsas apaixonadas
Doce Bia, a quem devotei sincero
Uma só noite de magia já apagada.

Por :: Giancarlo Zeni | sábado, julho 31, 2004 | ::



terça-feira, julho 27, 2004

Pequeno ensaio após tempos sem postar
 
Escrever é um dom. A expressão por via das palavras é um sopro abençoado da bondade dos deuses.  A palavra foi a maior criação da humanidade. Ela surge quando do surgimento do conciente humano. Quando o homem realiza sua existência, quando ele passa a compreendê-la, ele passa a ser capaz de se expressar. Uma evolução maior da fala e da escrita tem lugar no Neolítico, e, um pouco depois, são os fenícios que lapidam a fórmula escrita. Os gregos criam a beleza, e os romanos o refinamento. A Idade Média traz o acomedido, e a Renascença ilumina. A Idade Moderna traz à arte a luz do dia. Mas uma série de anos loucos (1760-1789) decapita reis e queima livros (a Revolução prova ser maligna desde tempos anciãos). Desde então um reduto de verdadeiros intelectuais tem produzido algo aproveitável. O outro restante dos que escreve, produz apenas lixo. A geração dos românticos, em grande parte, foi lixo. Seu lirismo era notório e maravilhoso, admito, mas pecam no conteúdo. Na falta de conteúdo, aliás. Falar do amor e da beleza dos mortos (mortas, na verdade) não parece algo que induz o leitor a pensar. Critico, sim; porém não nego que sou admirador de tantos dos rômanticos. Das gerações que se seguiram, temos Eça de Queiroz, Machado de Assis, mais posteriormente Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade - todos escritores de língua portuguesa que deixaram um conteúdo aproveitável e filosoficamente responsável se manifestar através de seu lirismo e grande talento. Escrever, desde os tempos em que morávamos em Cavernas e arrastávamos nossas mulheres pelos cabelos (...), é privilégio de poucos. São escolhidos pela Sorte. A Sorte (em maiúsculo, sim) vem sendo venerada desde os mesmos tempos sob a forma farta de uma mulher generosa, representação da Mãe-Terra. A poesia é fruto do espírito. Ninguém poetisa, seja em poema ou prosa, se não pela Alma. O lirismo é a expressão de nossas mais altas esferas astrais. Perceberam-no vários povos, mais os gregos foram os primeiros a exprimir isso especificamente -  através das Musas. Aos Romanos devemos a Deusa da Sorte, a própria Sorte: Fortuna. À grandes bens materiais e intelectuais se dá o nome de fortuna, em nossos dias. E Fortuna é a roda que gira e decide em que lado você vai parar. Peço a Fortuna todos os dias para que me sopre os seus bons ventos de inspiração. Peço às musas que povoem meu senso. Mas isso é incerto. Depende do acaso; da vontade dos Deuses.
 
Bacci per tutti.

Por :: Giancarlo Zeni | terça-feira, julho 27, 2004 | ::





Giancarlo M. Zeni. Rio de Janeiro-RJ. Neo-liberal, privatizador, italiano carcamano, meio-libertário-meio-positivista, hierárquico, disciplinador, autárquico, culturalmente preconceituoso, tijucano, meio-frio-meio-passional. E muito mais.

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