domingo, janeiro 30, 2005

Eu vivo preso neste vale de Lágrimas...
Por mais que seja feliz e que tudo seja bom, eu vivo preso.

Nas minhas palavras, mentiras, pensamentos, verdades, crueldades e compaixões. Eu vivo oprimido por mim mesmo contra mim mesmo só comigo mesmo. Eu, eu, eu, eu e eu. Enjôa-me.

Por vezes asas de morcegos, por vezes asas de anjos, sempre há algo alvoroçando minhas idéias. Revoadas e reviravoltas se estendem dos extremos de minha mente aos meados de meus atos - não é possível ser sincero por inteiro, nem comigo mesmo. Eu quero a sinceridade de um amor. Ergh, que clichê-romântico ridículo...(mas ainda assim eu quero!). Eu queria só ser eu mesmo pra mim mesmo, e pra você. Pra você.

Será que um dia eu poderei te beijar? Teus lábios cor-de-rosa encerram todo meu cosmo. Neles eu me encontrarei...

Eu sempre serei triste enquanto for humano.
Mas sempre poderei ser feliz, pois sou humano.

Por :: Giancarlo Zeni | domingo, janeiro 30, 2005 | ::



sexta-feira, janeiro 14, 2005

Quero voltar a ser poeira estelar! Ô existência gloriosa, aquela...

Por :: Giancarlo Zeni | sexta-feira, janeiro 14, 2005 | ::



domingo, janeiro 09, 2005

Why...???

Hoje acordei num daqueles dias normais, em que a gente desperta dum sono bom, acordado pelo irritante barulho produzido pela felicidade dos passarinhos. Antes de abrir os olhos, já amaldiçoei à todos por três gerações - malditos sejam! Hoje foi só um daqueles dias, domingos tradicionais, em que a gente sai pra almoçar na casa de um amigo de nossos pais e volta pra casa sozinho depois de comer. Só mais um dia.

Hoje foi apenas mais um dia que eu vegetei. Mais um dia em que eu não tive nada para contribuir para comigo ou outrem. Em que ninguém sentiria falta de mim se eu tivesse morrido - pois ninguém, nesse dia tão normal, sentiu falta de qualquer morto. Afinal, a vida continua.

Quanto tédio! Achei que fosse criar raízes na cadeira do computador. Nesse dia tão normal em que descobri que não sirvo, nesse dia corriqueiro em que o Mundo gritou para mim "não". Só mais um dia. Um dia só, tão chatinho. Mais um daqueles em que eu não sei o que quero fazer, só sei que não quero fazer nada; em que o futuro não interessa e a gente fica planejando amores.

Amores esses que não servem. Uns são reais, outros inventamos para nos engarnar. Ambos, porém, têm o mesmo gosto amargo quando terminam. Eu queria que durassem pra sempre e sempre, como minha infância quando ainda existia. É cafona idolatrar a infância e sentir-se melancólico por suas lembranças, mas acontece com todos nós. Que posso fazer!?

Nesses dias é que a gente descobre grandes verdades. Argh - elas nem existem (verdade número 1). A única pessoa que poderia te amar não te ama (verdade absoluta, número 2). Você é tão idiota quanto supõe não ser (verdade número 3). Ou pode ser tudo mentira - mentira número 1, mentira absoluta número 2 e mentira número 3. Mas tenho certeza que podemos ser muito melhores do que éramos a um segundo atrás. Evolução não impõe barreiras.

Eu me sinto um vegetal. Aqui parado, no centro do meu mundo. Desligado de tudo lá fora - eu não quero saber de tsunami, nem de furacão, nem anda. Só quero viver. Como eu queria viver! Viver intensamente, sem me preocupar com o que você acha de mim. Sem me preocupar se sei ou não escrever certo. Sem me preocupar se você me ama ou não. Queria deitar na grama e ficar soprando as nuvens até elas sumirem. Como eu queria!

Mas eu não posso.

É só mais um dia...



Por :: Giancarlo Zeni | domingo, janeiro 09, 2005 | ::



sábado, janeiro 01, 2005

Como eu queria...

Por todo o tempo que vivermos, jamais conheceremos alguém. Sequer uma pessoa.
Triste, triste realidade.

Podemos, claro, tirar conclusões sobre a face que uma pessoa nos exibe. Mas em hipótese alguma conhecê-la por completo. Ora, todos nossos pensamentos são maquiados, lapidados até virem à tona. Isso em se tratando daqueles que vêm...Pois milhares deles permanecem, em toda a sua impon(/t)ência e complexidade, encerrados em nossas mentes. E talvez sejam esses os mais importantes! São esses pensamentos ocultos os que unem todas as nossas facetas e compõem o que somos de fato.

A liberdade que nos foi concedida, de pensar sem que terceiros (e segundos) tenham acesso aos produtos de nossas sinapses, gera todos os vícios. Honestidade, transparência, sinceridade - nada disso existe. Talvez alguns se esforcem para atingí-las, mas em certos pontos isso é impossível. Simplesmente impraticável. Todo o tempo estamos consertando as imperfeições dos pensamentos. Muitas são as vezes em que nos auto-censuramos - ao autor, não raro, os próprios pensamentos soam sujos.

Em nossas cabeças se estendem mundos gigantescos. Sonhos, aspirações, vontades, desejos, loucuras - tudo se mistura, eliminando as barreiras das facetas, aquelas facetas que escolhemos, que moldamos de acordo com quem falamos. Nosso mundo é livre, enorme e eterno. Mas, coitado, mortal. Ele é tão imenso e tão pequeno. Em sua eternidade, só um vive. Assim acaba.

Até as pessoas que mais amamos, jamais as conheceremos por completo. Por mais que possamos ver mais de uma, duas, três facetas nelas, nunca será cedido o acesso total àquele Mundo alheio. Os Mundos são egoístas. Eles se apaixonam, eles amam, eles fixam, eles sofrem, choram, cantam, riem - mas não permitem que outro adentre seus mistérios.

Meu mundo tem vozes. Com cada pessoa, ele grita com uma voz diferente. Mas comigo, comigo ele grita com todas as vozes. Simultâneamente. Elas são ubíquas.

Esse mundo inteiro dentro de minha cabeça, ele encerra o mais belo da minha existência. Nele está em ação constante, por vezes contrária por vezes conjunta, tudo o que tenho de podre e de sublime. Luz e trevas. Meus Anjos e meus Demônios n'alguns dias guerreiam, n'outros fazem amor. Noutros ainda, só sexo. Nos dias cinzas eles sentam em praias desertas e observam crepúsculos alaranjados. No inverno eles se beijam. Que triste - eu vou morrer carregando todos comigo!

Para onde eles vão depois? Poderei libertá-los? Vão morrer comigo, ou vão permanecer lá? Eu não sei. Eu não sei...
E, u...n, ã, o...s, e, i.

Eu vou morrer sem ter conhecido meus amigos, meus pais, meus avós. E todos eles vão morrer sem me conhecer. Eu nem sei quem será minha esposa e meus filhos nem nasceram, mas estou certo que jamais nos conheceremos.

É o preço de se possuir o Mundo: há-de se viver sozinho nele.

Por :: Giancarlo Zeni | sábado, janeiro 01, 2005 | ::





Giancarlo M. Zeni. Rio de Janeiro-RJ. Neo-liberal, privatizador, italiano carcamano, meio-libertário-meio-positivista, hierárquico, disciplinador, autárquico, culturalmente preconceituoso, tijucano, meio-frio-meio-passional. E muito mais.

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