Às vezes me dá vontade de fugir.
Pra bem longe.
Lá onde eu pudesse ser qualquer coisa.
Lá pr'onde eu deixasse de ser sombra.
Por :: Giancarlo Zeni | quinta-feira, março 24, 2005 | ::
Cerca de Pedra [Giancarlo Zeni]
Ah, essas casas,essas casas que eram cobertas de taboinhas
e tinham o chão batido,e abrigavam bravos farrapos gaúchos
que armavam clavas,
e também em seu seio tinham suas mulheres
- sempre professoras -
e acalentavam o sono de seus filhinhos.
Elas, as casas,
as casas ficavam em sítios pequenos
de uns poucos alqueires,
onde esses lavradores corajosos tinham
roças que os mantinham,
donde saiam o milho, o fumo e o trigo
que em Vendas se vendia -
donde vinha, desses réis, o pão de cada dia.
Essas casas, sim,
elas formavam os grandes guerreiros maragatos
de encilho e laços,
que desd'ainda pequeninos já sabiam montar
e, 'inda guris,
já sabiam do destino gaudério de campear -
para, quando bastante,
ir, peão errante, a peleja da vida encontrar.
Nessas velhas casas,
floresceram avô, bisavô e geração adiante,
mesmo que o adiante
do gaúcho seja pro passado avançar -
e do passado tira
a lição eterna, de que vive quem sabe pelejar.
É a essas casas,
assim simples e encolhidas, humildes e sucintas,
que devemos nos voltar
e ver que assim o homem é livre do ambiente -
e pode, paciente,
nos vultos do passado sem presente se forjar.
Por :: Giancarlo Zeni | sábado, março 19, 2005 | ::
Hoje eu e Mariana fomos tomar capuccino, programa que já estava planejado à décadas e finalmente pôde se cumprir hoje.
Shoppings são estranhíssimos.
Minha cabeça não está mui boa para escrever; mas segue abaixo um soneto surrealista que andei a compôr :-)
Não tão bom quanto o do Millôr Fernandes, mas vá lá.
Soneto imperdoável [G. Zeni]
O descampado vai pr'além
no frenético ritmo mimético
cô' grande espiral despoético
que já não ajuda a ninguém.
Hastes que baloiçam aquém
como sonar abiogenético
s'erguem, tesas, em recavém
em cadência de sabor sintético.
Quis em ti alcançar o céu,
mas de que adianta chorar?
Não pude, alado corcel
Saber que eram campos de papel
aqueles azuis cor de mar
onde colhi favas de fel.
Por :: Giancarlo Zeni | sábado, março 19, 2005 | ::
DALI, Salvador. A persistência da memória.
G. Zeni
Por :: Giancarlo Zeni | quinta-feira, março 10, 2005 | ::
Blink 182 - I Miss You
(I miss you miss you)
Hello there the angel from my nightmare
The shadow in backround of the morgue
The unsespecting victim of darkness in the valley
We can live like Jack and Sally if we want
Where you can always find me
And we'll have Halloween on Christmas
And in the night we'll wish this never ends
We'll wish this never ends
Where are you and I'm so sorry
I cannot sleep I cannot dream tonight
I need somebody and always
This sick strange darkness comes creeping on so haunting everytime
And as I stared I counted the webs from all the spiders
catching things and eating their insides
Like indecision to call you
And hear your voice of treason
Will you come home and stop this pain tonight
stop this pain tonight
Don't waste your time on me you're already the voice inside my head(6x)
I miss you miss you(6x)
A penúltima frase é marcante e real: Don't waste your time on me you're already the voice inside my head
Mas quem é Você?
Por :: Giancarlo Zeni | sábado, março 05, 2005 | ::
No começo, era nada: .
Mas a vida se prolonga por si só. Independe de nossa vontade, de nossa ciência.A paisagem passando pela janela continua! Continua...continua...e continua...
O que é vontade? O que é ciência? As dúvidas que ecoam na minha mente resolvem meus atos. Liberdade se esconde atrás da cortina da visão. As flores, as árvores, as folhas, as árvores, os frutos, as árvores - nos dizem tanto...Nos dizem nada. É o que vemos: .
A cegueira sempre me atrapalha. Quero ver mais! Quero ver além...
...Eu quero sentir.
A superficialidade da beleza me incomoda.
A profundidade
da beleza eu
não suporto.
Mas como eu quero!
A paisagem da janela continua a correr no meu ecrã segundos depois de parar. Minutos depois de acontecer. Horas depois de minguar. Milênios depois de sumir. Continua......e corre, corre, corre, corre, corre pela minha língua, pela minha boca, pela minha voz. No meu pensamento.
As árvores³ e suas flores e suas folhas e seus frutos já não me perturbam mais. Consigo ouvi-los. Eu vejo-os! E eles andam - a n d a m - a n d a m.
Construí paredes concretas com tudo que vi. Edifiquei a vida naquilo que senti. Entrei e me instalei lá dentro. É tudo tão lindo!
Chove. E o meu castelinho de chantilly se derrete...
Não há mais voz.
Não há nada.
Nada.
.
Por :: Giancarlo Zeni | sexta-feira, março 04, 2005 | ::