domingo, maio 29, 2005

Miss Dai-Cassidy estava lá, como sempre. Estirada nas areias de Copacabana, lia um de seus livros habitués. O pai cônsul lhe expiava a cada dois minutos da janela do ministério britânico, bem ali em frente à praia. Cheguei e me sentei ao seu lado.

Miss Dai-Cassidy me abraçou e fez grande festa, conforme era seu costume. Alegria, alegria e mais alegria...
Mostrou-me a boneca de seu romance. Li com cuidado e sabor. Estava realmente bom.

Mas sempre parava por aí... Ela a reclamar dos ditames de Getúlio Vargas, a criticar o Estado Novo, a contar-me de sua vida, de seus planos, de..., de ...., de...

- Miss Cassidy, poderia fazer um favor?

Pára um moleque de recados na nossa frente. Entrega um papel dobrado a ela e sai correndo.

- Sinto muito, darlin'...Agora tenho que ir.

E foi assim por toda a vida.

Por :: Giancarlo Zeni | domingo, maio 29, 2005 | ::




Cansei. Cansei de não agradar. Cansei de me esforçar pra ser bonzinho e só receber patadas em troca. Cansei.
Cansei de ser rejeitado por aqueles a quem tanto me devoto. Aí estão muitos: amigos, pais, irmão, colegas...
Vou restringir minhas contribuições para com a humanidade. Vou me fechar na minha arrogância, no alto do meu salto, na cimeeira da minha indignação. Eu odeio tudo e a todos - talvez com uma ou duas excessões.
Vão todos à merda. Vou eu à merda. É o inexorável destino da humanidade inpensante. Vegetais. Continuem vegetando. Continuem...

Vade todos à grandessíssima puta que vos pariu.

Por :: Giancarlo Zeni | domingo, maio 29, 2005 | ::



sábado, maio 28, 2005

Salve, Regina, Mater Misericordiæ,
Vita, dulcedo et spes nostra. Salve.
Ad te clamamus exsules filii Evæ,
ad te suspiramus gementes et flentes
in hoc lacrimarum valle.
Eia, ergo, advocata nostra,
illos tuos misericordes oculos
ad nos converte.
Et Jesum, benedictum fructum
ventris tui, nobis post hoc
exilium ostende.
Oh clemens, oh pia, oh dulcis
Virgo Maria.

Por :: Giancarlo Zeni | sábado, maio 28, 2005 | ::



segunda-feira, maio 16, 2005

Para ti, Larissa.

Folhas secas [Giancarlo Zeni]

'Inda me lembro, Hikari, de ti
Nas tardes das floradas das cerejeiras
em tempos que s'iam juntas na jardineira
tua alma vermelha e a tristeza de Emi.

Recordo o quimono em tua pentiadeira
recendendo sempre à doçura de yuri
a georgette rasgada sobre a espinheira
Regada por sempre lágrimas de Akemi.

Assim teus olhos distantes do mundo
a mirarem mais próximos o mar
despejando os desejos pr'o fundo

Mas profundo desejando um dia sonhar
plantando amores em estéril fecundo
Pretendendo qu'um dia se possa amar.

Por :: Giancarlo Zeni | segunda-feira, maio 16, 2005 | ::



quarta-feira, maio 04, 2005

Auto-comiseração é o mais delicioso sentimento para um poeta sado-masoquista (mais sádico ou mais masoquista? difícil...).

Sempre perguntava aos meus amigos se eles chorariam no meu velório.

Parei quando recebi um Não seco e desinteressadíssimo em se jusitifcar.

Por :: Giancarlo Zeni | quarta-feira, maio 04, 2005 | ::





Giancarlo M. Zeni. Rio de Janeiro-RJ. Neo-liberal, privatizador, italiano carcamano, meio-libertário-meio-positivista, hierárquico, disciplinador, autárquico, culturalmente preconceituoso, tijucano, meio-frio-meio-passional. E muito mais.

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