
Você
Não preciso olhar para você mais que alguns minutos para ter certeza do que me seduziu. Não preciso procurar os motivos, pois eles fazem questão de transbordar, e ficam acessíveis numa primeira mirada. O ar descontraído de menina, por exemplo, não é artifical, forçado. É uma aura de menina vivida, de menina que já viu de tudo um pouco, de menina que andou pelos anos - e que não deixou que os anos andassem por si.
A graça do movimento é aquela de quem conhece seu corpo, sabe de seu poder, sabe de seus domínios; mas também sabe de seus infortúnios. O autoconhecimento, propiciado pela longa convivência consigo mesma, lhe dá essa certeza e essa afirmação na cadência do andar. Claro que você tem medos, inseguranças; mas deixa isso bem claro, não esconde. Você sabe, afinal, da normalidade que isso constitui. Não busca se esconder debaixo duma carapaça de perfeição. Não.
A medida da sensualidade, ah!, só você tem. Sabe do seu corpo todo, das sensações que ele provoca, do que cada parte é capaz de inspirar. Talvez você nem saiba que sabe, e isso lhe dá um encanto muito maior. Esse jogo velado, isso pertence só a você. Essa diferença fundamental, que a faz deslumbrante, e não deslumbrada...isso te faz mulher. MULHER.
E na cama, meu amor...na cama! Não há gemido melhor que o teu, não há rebolado melhor que o teu, não há boca como a tua, não há gosto como o teu. Na cama, a fêmea graduada, sem necessidade de muita opinião, é uma puta deliciosa, que sabe ser só minha. Você aprendeu que entre quatro paredes e dois amantes tudo vale. Isso te faz irresistível. E aí se fundem, nesse ápice de amor, menina e mulher. Numa mistura maravilhosa, você é só carinho.
Como eu poderia não te amar?